Main Article Content

Resumo

Nesse artigo abordaremos um processo de produção teórico/prático que pretendeu a elaboração de uma metodologia de intervenção, a Olhares (Im)possíveis, por meio de oficinas com a linguagem audiovisual. Estes escritos lançam um olhar sobre o trabalho desenvolvido com crianças de 10 e 11 anos, da escola Municipal Professor Adhalmir Santos Maia, na periferia de Ouro Preto durante os meses de maio e dezembro de 2017. Neste artigo iremos, em um primeiro momento, lançar os olhares para uma imagens-sintoma produzida durante uma das atividades. A partir de sua dimensão acidental,  inspirando-nos no paradigma indiciário de Carlo Guinzburg (1989), encontraremos nas perspectiva do detalhe apresentada por Rancière (2009), uma possibilidade de análise. Em seguida, iremos nos atentar a perceber como essa imagem parece funcionar como uma imagem-intolerável (Rancière, 2012). Por último, a partir da noção de violência (Soares, 2011 e Clastres, 2004) iremos entender que o trabalho com essas imagens-intoleráveis (a elaboração de seus testemunhos) permitiu aos sujeitos a criação de pequenos espaços de fuga as realidades as quais estão inseridos/as.


 

Palavras-chave

Educação Pesquisa intervenção ; Audiovisual Psicanálise

Article Details

Biografia do Autor

Arthur Medrado

Doutorando do PPGCine (Programa de Pós-graduação em Cinema e Audiovisual), da Universidade Federal Fluminense. Mestre em Educação e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Participou da mobilidade internacional na Universidade Nacional de La Plata - UNLP, na Argentina, em 2012 onde estudou "Comunicação Audiovisual". Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: audiovisual, comunicação, psicanálise, metodologias qualitativas e colaborativas e educação patrimonial. Com a metodologia Olhares (im)Possíveis, desenvolvida e aplicada durante a pesquisa de mestrado ficou em 3º Lugar no 6º Premio AMAERJ - Juíza Patrícia Acioli de Direitos Humanos (categoria práticas Humanísticas). Atua e pesquisa com interesse especial nas narrativas, poéticas e estéticas das linguagens do som e da imagem (fixa em em movimento) transitando entre produções com fins educativos e experimentais. Além disso trabalhou em TV Educativa e produção de projetos culturais. É Membro do Grupo de pesquisa Caleidoscópio/ UFOP/CNPQ.

Margareth Diniz, Universidade Federal de Ouro Preto

Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, Psicanalista, Professora Associada I de Psicologia da UFOP, Coordenadora do Observatório de Pesquisa Educacional CAPES/FAPEMIG e Líder do Grupo de pesquisa Caleidoscópio/ UFOP/CNPQ. Coordenadora do Programa de Pesquisa/extensão Caleidoscópio. Participa dos grupos de pesquisa sobre formação e condição docente - PRODOC - UFMG e do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas e Educacionais sobre a Infância. (LEPSI-MG). Integra a Rede Internacional de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Política - RIPPEP - UFRGS. Participa da Associação Nacional de Pós-Graduação de Pesquisa em Educação (ANPEd) no GT 8 ? Formação docente. Integra o Programa de Pós-graduação - Mestrado e Doutorado em Educação - UFOP, pesquisando temas do campo Psicanálise-Educação, especialmente relacionados à subjetividade, à inclusão de pessoas com necessidades específicas, à diversidade de gênero e sexualidade e à diferença. Busca interrogar a formação docente e as práticas educativas inclusivas a partir da subjetividade do/a pesquisador/a, do/a formador/a e do docente, utilizando o método clínico, a conversação e o cinema como dispositivos de formação. Considerando a educação como campo relacional, investiga a relação educativa professor/a - aluno/a, o adoecimento e o mal-estar docente, especialmente de mulheres-professoras. Investiga a relação com o saber, com o conhecimento e com a diferença em crianças, adolescentes e docentes. Concluiu o Pós-doutorado na PUC-MG em 2017, com o tema "Educação Inclusiva: Perspectivas e desafios da política inclusiva em MG", sob supervisão de Amaury Carlos Ferreira e concluiu o pós-doutorado vinculado à Faculdade de Educação - UFMG, por meio do edital PNPD - CAPES 2018-2019, com o tema "Princípios e dispositivos teórico-metodológicos para a formação docente e subjetividade", sob supervisão de Marcelo Ricardo Pereira.
Como Citar
Medrado , A., & Diniz, M. (2020). Ensino da Linguagem Audiovisual e Imagens-Sintomas. Humanas & Sociais Aplicadas, 10(28), 98-113. https://doi.org/10.25242/8876102820202016

Referências

  1. ARAUJO, Arthur Medrado Soares. Olhares (im)possíveis : desenvolvimento e aplicação de metodologia para a escuta do indizível com crianças da periferia de Ouro Preto. 2018. 144 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto. Mariana, 2018.
  2. CARLOS, A. F. A. Da “organização" à “produção" do espaço no movimento do pensamento geográfico brasileiro. In: _____ et al (Org.). A produção do espaço urbano. São Paulo: Editora Contexto, 2011. p. 53-72
  3. CARVALHO, L. A.; SANTOS, S. F.; OLIVEIRA, L. F. P.; GALDINO, M. E. R. Tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC’s) e a sala de aula. Perspectivas Online: Humanas & Sociais Aplicadas, v. 9, n. 26 , p. 32-51, 2019.
  4. CLASTRES, P. Arqueologia da violência: pesquisas de antropologia política. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
  5. DIDI-HUBERMAN, G. Ante el Tiempo. Tradução para o espanhol: Oscar Antonio Oviedo Funes. Buenos Aires: Adriana Hidalgo Editora, 2005.
  6. DIDI-HUBERMAN, G. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34, 2010.
  7. DIDI-HUBERMAN, G. Diante da imagem. São Paulo: Editora 34, 2013.
  8. DIDI-HUBERMAN, G. Sobrevivência dos vaga-lumes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
  9. GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  10. MBEMBE, A. Necropolítica. São Paulo, sp: N-1 edições, 2018.
  11. MIGLIORIN, C. Inevitavelmente Cinema: Educação, política e mafuá. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2015.
  12. MIGLIORIN, C. [et al] Inventar com a diferença: cinema e direitos humanos. Niterói: Editora UFF, 2014.
  13. MEDRADO, A.; DINIZ, M. Aposta Contemporânea de pesquisa-intervenção: impasses entre objetividade e subjetividade nas Ciências Humanas. Missões: Revista de Ciências Humanas e Sociais, v. 6, n. 1, p. 102-120, 3 jun. 2020.
  14. PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. (Orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.
  15. RANCIÈRE, J. O inconsciente estético. São Paulo: EXO/34, 2009.
  16. RANCIÈRE, J. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
  17. RANCIÈRE, J. As imagens querem realmente viver? In: ALLOA, Emmanuel (Org.). Pensar a imagem. São Paulo: Editora Autêntica, 2015. p. 191-204.
  18. RANCIÈRE, J. Os nomes da história. São Paulo: Editora Unesp, 2017.
  19. SILVEIRA, P. C. A. Etnotopografia aplicada em praças: algumas ferramentas para ler a cidade em arquitetura e urbanismo. Perspectivas Online:Humanas & Sociais Aplicadas, v. 10, n. 27, p. 1 -21, 2020
  20. SOARES, L. E. Justiça: pensando alto sobre violência, crime e castigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.