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Resumo

Nesse trabalho, pretende-se analisar o conto Miguilim de Guimarães Rosa a partir de uma
aproximação que aponte para múltiplos significados da condição de limitação visual de Miguilim. O ver
pode assumir diferentes matizes e apresenta-se como uma abertura ou janela de encontro de novos
significados existenciais. O ver compõe uma tríade que conta ainda com mais dois aspectos cognitivos: a
percepção e a compreensão. Evidencia-se que qualquer alteração de um dos aspectos da tríade produz
necessariamente mudanças nos outros aspectos. Desse modo, o Mutum de Miguilim era parcialmente velado
pela limitação visual, mas especialmente pela presença ameaçadora de seu pai. Sim, o pai de Miguilim e sua
fixidez significativa, isto é, sua ausência de abertura para novas possibilidades existenciais, impedia que o
Mutum fosse realmente "visto" como bonito. Nesse sentido, Miguilim e seu pai são representantes de dois
diferentes modos de relação assumidos pelo EU: a relação EU-TU e a relação eu-isso. Enquanto na primeira
relação há reciprocidade e compreensão, na segunda há objetivação e ausência de diálogo. Assim, o
velamento do mundo não significa apenas deficiência visual ou cegueira, mas poderá permitir ou não o
encontro de novos modos de ser no mundo, afastando-se da fixidez essencialista que paralisa os homens num
mesmo arranjo existencial que necessariamente está referido à morte. Mas, Miguilim se salva, sim, se salva
da morte psicológica, pois abre seu mundo e deixa vir à luz todas as possibilidades de uma nova vida.

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Como Citar
de Azevedo, P. W. (2012). MIGUILIM E AS MÚLTIPLAS FORMAS DO VER E DO SER. Humanas & Sociais Aplicadas, 2(5). https://doi.org/10.25242/887625201263