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Resumo

Seguindo as trilhas do pensamento do filósofo Martin Heidegger sobre a existência, partimos da compreensão do espaço considerado de forma inerente à condição mais originária da existência do homem.
Essa condição aponta para a impossibilidade de uma subtração entre ser e mundo ou de se conceber o espaço em detrimento da existência. Para além dessas considerações, o presente trabalho se dispõe a pensar sobre o habitar a cidade como obra do humano, da existência como junto ao mundo, onde não há fronteiras entre as biografias de seus habitantes e o espaço de acontecimento de suas histórias. Habitar a cidade não é mera
possibilidade de deslocamento espacial ou de assumir comportamentos objetiváveis, mas, sobretudo, aponta para a possibilidade de assumir a espacialidade existencial à qual está desde sempre destinado o homem. A
existência como ser-no-mundo, nos termos da fenomenologia proposta por Heidegger, não se traduz a partir da compreensão de um indivíduo substancialmente encapsulado em si mesmo, nem tampouco na suposição
de uma interioridade psíquica, mas nas possibilidades de realizações da existência, que trazem originariamente consigo a designação de um modo específico de estar no mundo, que é sempre atuar em um
contexto de possibilidades e de acontecimentos que se instaura junto a esse mundo que se habita. Nosso esforço argumentativo, que tem como ponto de partida a perspectiva e o método fenomenológico
hermenêutico assim como fundamentado por Heidegger, encontra apoio, sobretudo nas obras Ser e Tempo e Ensaios e Conferências, que são fundamentais sobre o assunto, além de contribuições de outros autores
também comprometidos com nossos interesses e que partem de disciplinas bem diversas, dentre eles, da arquiteta e filósofa Ligia Saramago, do filósofo Jeff Malpas e do geógrafo Eduardo Marandola. Nossa pesquisa revela que a repercussão do modo pelo qual a filosofia heideggeriana incide sobre diferentes disciplinas, - além da psicologia - especialmente sobre a arquitetura e a geografia, que elegem o espaço como objeto primordial de investigações, tem se revelado como outra possibilidade de compreensão bem diversa da referência cartesiana que inaugura e vem determinando o modo pelo qual tais disciplinas se
desenvolveram historicamente e, em geral, concebem as interlocuções da dinâmica homem-mundo.


Palavras-chave: Martin Heidegger; cidade; habitar.

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Como Citar
DELGADO, V., & MORATO, H. (2015). HABITAR: O ESPAÇO COMO HORIZONTE ONTOLÓGICO DA EXISTÊNCIA. Humanas & Sociais Aplicadas, 5(14). https://doi.org/10.25242/88765142015849