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Resumo

O presente estudo busca investigar o modo pelo qual o educador pode interagir na desconstrução dos preconceitos linguísticos, estimulando uma benéfica provocação a respeito das origens dos inúmeros vocábulos no município de Campos dos Goytacazes(RJ), sobretudo na  Baixada  Campista. Percebe-se que nesta localidade há uma intensa herança vocabular de  cunho  medieval oriunda de diversos mecanismos que estão relacionados a fatores geográficos (considerável isolamento espacial), ideológico (empecilho ao ensino regular) e histórico(legado  da  colonização portuguesa).   Dessa forma, para suporte da análise foi feito um recorte diacrônico da língua a fim de que houvesse um pleno entendimento da concretização linguística de algumas variações recorrentes no mencionado local. Para tanto, houve um recuo ao passado para consultar o dicionário de Rafael Bluteau(século  XVIII), obra inicial do processo  de registro vocabular que colaborou  na solidificação da consciência do português como língua nacional. Retornamos ao presente para estabelecer comparações entre esses períodos. Após examinar a citada obra lexicográfica e compará-la com a linguagem da Baixada Campista, constatamos a presença de um arcabouço lexical pejorativamente cognominado de "campistês"  correlativo ao utilizado pela classe dominante no período medieval na Península Ibérica.  Através dos resultados obtidos, foi elaborado um glossário levando em conta a  mencionada  analogia.

 

Palavras-chave: preconceitos linguísticos, herança vocabular, cunho medieval, recorte diacrônico, Bluteau, glossário.

 

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Como Citar
da Silva, M. P., & de Aguiar Lima e Silva, V. (2016). O Português medieval e o atual – Congelamento linguístico na Baixada Campista. Humanas & Sociais Aplicadas, 6(17). https://doi.org/10.25242/88766172016917